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Article Excerpt * RESUMO: Apresenta-se uma analise das possibilidades de distribuicao dos adverbios modalizadores na sentenca, comparando-se as linguas portuguesa e inglesa. A base do estudo e a teoria dos Principios e Parametros, tomando-se como referencia principal a hierarquia universal de Cinque (1999).
* PALAVRAS-CHAVE: Modalizacao; adverbios modalizadores; sintaxe gerativa.
* ABSTRACT: This paper presents a comparative analysis of the position of adverbs in English and Portuguese sentences, assuming the general framework of the Principles and Parameters Theory, with special reference to Cinque's (1999) universal hierarchy
* KEYWORDS: Modality; modal adverbs, generative syntax.
Introducao
Apresentamos neste artigo uma analise da distribuicao dos adverbios e, particularmente, dos adverbios modalizadores, na sentenca. A classe dos adverbios modalizadores e bastante ampla e pode expressar diferentes valores, mas tem como caracteristica comum apresentar, de modo mais ou menos explicito, algum tipo de intervencao do falante na definicao da validade e do valor do enunciado que produz. Pode, assim, modalizar quanto ao dever, moda]izar quanto ao valor de verdade, restringir o dominio dentro do qual o enunciado e verdadeiro e ate mesmo avaliar afetivamente o proprio enunciado. Adotamos aqui, com base nessa definicao, a classificacao proposta por Neves (2000) para os adverbios moda]izadores, a saber: Deonticos (como necessariamente); Epistemicos, subdivididos em Afirmatives (como certamente) e Relativos (como provavelmente); Delimitadores (como basicamente) e Afetivos, subdivididos em Subjetivos (como felizmente) e Intersubjetivos (como francamente).
Tomando por base trabalhos de orientacao sobretudo gerativa, procuramos identificar em quais posicoes os adverbios dessa classe podem ser gerados dentro de uma sentenca e, a partir de estudos comparativos, verificar se ha diferencas nos parametros que determinam as posicoes em diferentes linguas. As linguas selecionadas para este estudo foram o portugues brasileiro e o ingles. Os exemplos foram extraidos, em portugues, do corpus montado no Laboratorio de Lexicografia da UNESP (CLL), por Francisco da Silva Borba, e do CD-ROM do jornal Folha de S.Paulo (FSP), de 1999, e, em ingles, da versao DEMO do corpus Cobuild Direct Corpus Sampler (CDC), disponivel na Internet.
Uma analise linguistica de base sintatica nao pode considerar palavras isoladamente, uma vez que sabemos que, dependendo das relacoes entre os elementos da sentenca, diferentes construcoes sao possiveis em uma lingua natural. Assim, encontramos pesquisas sobre a posicao de adverbios dentro da sentenca que analisam tambem o movimento do verbo e de outros constituintes para verificar que deslocamentos e alcamentos geram diferentes ordens de elementos.
Pesquisas sobre a posicao dos adverbios na teoria gerativa
Pollock (1989) apresentou uma inovacao na teoria gerativa quanto a posicao dos constituintes da sentenca. Ao contrario do que se supunha ate entao, o autor afirma que e o adverbio--e nao o verbo--que ocupa posicao fixa na sentenca. Ele propoe tambem subdividir o Sintagma Flexionai (IP) em duas categorias funcionais: Tempo (TP) e Concordancia (AgrP), e afirma que o deslocamento do verbo para tais posicoes e o que explica as diferencas de superficie entre as linguas. (4) Costa (1996) questiona alguns aspectos da proposta de Pollock, e realiza outros testes em relacao a posicao do verbo, evidenciando a necessidade de estudos mais aprofundados sobre o tema. Ojea Lopez (1994) apresenta uma divisao da estrutura funcional dos sintagmas que origina um aumento no numero das categorias funcionais. A autora afirma que, de acordo com os parametros que caracterizam as linguas naturais, cada lingua pode, a partir dos principios oferecidos pela Gramatica Universal, desenvolver certas categorias funcionais, e nao outras, e ordena-las de maneira propria. Assim, a posicao dos adverbios na sentenca pode ser determinada mediante o estudo aprofundado das categorias lexicais e, sobretudo, pela identificacao das categorias funcionais, que podem variar de uma lingua para outra. Seguindo essa linha de raciocinio, Cinque (1999) tambem analisa a estrutura funcional da sentenca e, por meio de comparacoes entre diversas linguas, conclui que a sentenca possui uma formacao funcional extremamente rica, que nao varia em diferentes linguas. Esse aspecto contradiz a proposta de Ojea Lopez (1994) de que as linguas tem estruturas funcionais diferentes. Pesquisando as manifestacoes morfologicas das categorias funcionais em linguas pertencentes a diferentes familias, o autor chega a um numero de aproximadamente quarenta projecoes funcionais possiveis. Cinque (1999) apresenta ainda uma hierarquia dessas projecoes funcionais, tambem aparentemente valida para todas as linguas. Aproveitamos, dessa hierarquia, a ordem correspondente aos adverbios modalizadores, a qual sera...
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