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Article Excerpt * ABSTRACT: This paper examines the marked constructions of Focus assignment in spoken language by comparing Portuguese and English in order to establish a typological pattern of functional behavior. The analysis is based on Dik's FG (1997) and on RRG framework (Van Valin & Lapolla, 1997). In the light of the RRG concepts, both Portuguese and English have, on one hand, flexible focus structure since the focus constituent falls on any clause constituent without any restriction and, on the other hand, both languages have rigid syntax in virtue of a relatively fixed word order--SVO; thus, the syntax needs not to be modified to accomodate focus expression. The results show that, in spite of these similarities, Portuguese and English shoud be placed in different points of e continuum: Portuguese has a less rigid syntax and less flexible focus structure than English. Moreover, the interaction of focus structure and syntax shows that the compatibility between FG and RRG is theoretically relevant to capture relations between syntax and pragmatics.
* KEYWORDS: Spoken language; word order; pragmatic function; focus.
* RESUMO: Examimam-se, neste trabalho, as construcoes marcadas de atribuicao de foco na lingua falada, comparando-se o portugues e o ingles, com o objetivo de astabalecer um padrao tipologico de comportamento funcional, com base na GF de Dik (1997), e na RRG, de Van Valin e Lapolla (1997). Na concepcao da RRG, tanto o portugues quanto o ingles sao linguas de estrutura de foco flexivel, em virtude de o constituinte focal incidir, sem restricoes, sobre qualquer constituinte da oracao; e de rigidez sintatica, em virtude de apresentarem ambas urna ordem fixa de palavras--a ordem SVO--que nao precisa ser necessariamente modificada para acomodar a expressao focal. Os resultados demonstram que, a despeito dessas similaridades, o portugues e o ingles se situam em diferentes pontos de um continuum: o portugues dispoe do uma sintaxe menos rigida e de foco menos flexivel que o ingles. Alem disso, a interacao entre a natureza dos mecanismos de focalizacao e seu escopo com o grau de rigidez da estrutura sintatica mostra que e muito pertinente a aproximacao entre a GF de Dik e a RRG de Van Valin e Lapolla.
* PALAVRAS-CHAVE: Lingua falada; ordem de palavras; funcao pragmatica; foco.
Palavras iniciais
Um dos aspectos mais caracteristicos do paradigma funcionalista e definir a lingua como um instrumento de intercao social. Nesse aspecto, a competencia comunicativa, que consiste na habilidade de interagir socialmente com a lingua, implica a ideia de que o falante dispoe nao apenas da capacidade de codificar e decodificar expressoes linguisticas, mas tambem de usar e interpretar essas expressoes de uma maneira interacional satisfatoria.
Dik (1989) afirma que a interacao verbal, ou seja, a interacao social por meio da linguagem, e uma forma de atividade estruturada e cooperativa. Uma atividade e estruturada por ser governada por regras, normas e convencoes e e cooperativa no sentido obvio de que precisa de pelo menos dois participantes. A linguistica funcional trata de dois tipos de sistemas de regras: as que governam a organizacao das expressoes linguisticas (semanticas, sintaticas, morfologicas e fonolgicas) e as que governam os padroes de interacao verbal no qual essas expressoes linguisticas sao usadas (regras pragmaticas)
O sistema de regras gramatical e instrumental em relacao aos objetivos e propositos do sistema de regras pragmaticas, ou seja, a exigencia basica do paradigma funcionalista e a de que as expressoes linguisticas devem ser descritas e explicadas como uma estrutura geral fornecida pelo sistema pragmatico de interacao verbal. A atribuicao de funcoes pragmaticas tem a funcao de especificar o estatuto informacional do enunciado era relacao ao contexto comunicativo, que pode ser entendido com base na avaliacao que faz o Falante (F) da informacao pragmatica do Ouvinte (O) no momento da comunicacao. O estatuto informacional define duas funcoes pragmaticas, a de Topico, ou seja, sobre o que se fala, dado o contexto informacional em que ocorre a oracao, e a de Foco, (3) ou seja, a propriedade pragmatica relacionada aos constituintes comunicativamente mais importantes ou salientes da oracao em funcao da avaliacao de F em ralacao a informacao pragmatica de O.
O modelo de Van Valin e LaPolla (1997), Role and Reference Grammar (RRG), tambem ve a lingua como um sistema de acao social comunicativa. Sua concepcao de gramatica incorpora o principio de que a estrutura gramatical so pode ser entendida com referencia as funcoes semantica e pragmatica, o que o aproxima do modelo de Gramatica Funcional (GF) de Dik.
Van Valin e LaPolla (1997) entendem que a dascricao de um fenomeno linguistico deve incluir um tratamento do modo como as linguas se diferenciam umas das outras, ou seja, do sistema tipologico a que pertencem. Assim, alem da necessidade de adequacao pragmatica, a descricao das linguas deve basear-se tambem na necassidade de uma adequacao tipologica, conforme acentua Dik (1989, p.12).
De uma perspectiva tipologica, algumas linguas dispoem de sistemas muito alaborados de Foco, e a diferentes tipos correspondem diferentes estrategias formais. Segundo Dik (1989), esses sistemas elaborados requerem uma subcategorizacao da funcao focal e os principais parametros consistem no escopo do Foco, o que Van Valin e LaPolla (1997) entendem por relacao entre o dominio potencial e o dominio real. Embora mencione a necessidade de determinar a dimensao "emica" da focalidada, o que significaria especificar as distincoes que devem integrar-se numa gramatica para explicar as diferentes estrategias de focalizacao de que dispoe uma lingua, Dik nao desenvolve uma classificacao tipologica, tal como a RRG.
Van Valin e LaPolla (1997) se valem de uma classificacao originalmente proposta por Lambrecht (1994) para determinar uma tipologia linguistica com base nas diferentes estrategias gramaticais para atribuicao de Foco, que se assenta, principalmente, na distincao entre Foco estreito (narrow focus) e Foco largo (wide focus). O foco estreito se aplica a um unico constituinte oracional, enquanto o foco largo pode incluir mais de um constuinte ou mesmo todos os constituintes com excecao do topico da oracao.
Uma distincao muito util e crucial para um estudo tipologico e a que Van Valin e Lapolla (1997, p.206) estabelecem entre o dominio potencial de Foco (potencial focus domain) e o dominio real (actual focus domain). O primeiro se refere a parte da sentenca que pode receber funcao focal, e o segundo a parte da sentenca realmente focalizada. Nem todas as linguas disponibilizam a sentenca toda para o dominio potencial de Foco, o que traz, segundo o autor, consequencias importantes para a interacao entre sintaxe e estrutura focal.
O objetivo deste trabalho e examinar a atribuicao de foco com a finalidade especifica de estabelecer comparacao...
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